Sofia já começa a trabalhar, Marieta passa a ficar em casa todos os dias, só preservando seu coração e cuidando de sua filha como podia. Passaram-se mais quatro anos Marieta já idosa com sessenta e dois anos, começa a sentir muito mal numa plena tarde de inverno, Sofia já grande com dezenove anos, eram quinze horas e trinta minutos, e dona Marieta cansada senta na cama, e chama Sofia, Sofia vai correndo:
- Oi mamãe!
- Minha filha. Esta na hora deu ir para junto dos anjos da mãe dos céus do pai da humanidade. Deixo tudo o que tenho a você.
- Não mãe. A senhora não vai morrer. Eu não posso ficar sem você mãe. - Sofia abaixa a cabeça e chora, Marieta mesmo morrendo segura a mão da filha e lhe diz as últimas palavras
- Desculpe não ser sua mãe biológica. Siga em frente minha querida. Você me mostrou a vida me deu tudo o que eu precisava para ser feliz. E não se esqueça, você não é um acaso Sofia, não é... - foi abaixando o tom da voz, já não sentindo mais suas pernas,e disse a última palavra bem baixinho Nada é por acaso. Eu te amo!
Marieta naquele exato instante ia para junto dos anjos,da mãe dos céus, do pai da humanidade. Sua cabeça repousara sobre o travesseiro, aqueles cabelos grisalhos que um dia foram pretos lisos, aqueles olhos pretos, nariz reto e grande, pele branca, e meio gordinha,mulher de fibra, trouxe varias crianças ao mundo, cuidou de uma delas como sendo sua, era ela Dona Marieta, que naquele instante acabara de morrer. Sofia mais uma vez perdera uma mãe, Sofia gritou, gritou, em um tom agonizante de choro:
- NÃOOO! NÃO! - apenas a revolta representada pelo não, cabia em sua boca.
Depois da morte de Marieta Sofia vendeu a casa, fez as malas, por um acaso ali passava um moço bonito nariz grande reto, cabelos lisos e pretos , olho azul muito cavalheiro e educado, que lhe deu carona, ele se chamava Vincenzo. Sofia queria ir para Veneza e para lá foi. Sempre os acasos a perseguindo, Sofia trabalhava de garçonete, numa cantina na Rua Maledeta de Carpiu, no bairro de Escapuchi, a cantina de Seu Valentin, Cantina Valentia. Sofia havia conseguido um simples e pequeno quarto numa pensão um pouco velha, pois o dinheiro era curto.
A dona da pensão era Dona Estefani de Caprino, mulher muito ranzinza e exigente. Tinha horário para
café da manhã janta almoço, e não podia se atrasar!
Numa tarde de outono de 1945 Sofia sai para ler um pouco numa biblioteca, num quarteirão acima da cantina onde trabalha, lá lendo alguns livros de romance e mistério deixa um cair, abaixa para pegar e um rapaz bonito cabelo liso e preto, olho azul,nariz reto e grande, era Vincenzo. Que lhe disse
- Oi moça. Você por aqui? - Sofia demora para recordar quem era aquele cavalheiro jovem lindo e educado.
Então ele lhe recorda daquela carona, há um ano. Os dois conversam, e conversam e combinam de se encontrarem no dia seguinte na cantina em que Sofia trabalha.