Entendendo nosso mundo de estações

Era aquele o meu mundo... Eu sabia desde que acordei dos meus sonhos. Eu senti. Quando vieram os problemas e angustias, eu dormi, e enquanto sonhava, estava no inverno. Era frio e eu parecia ter medo e não ter proteção; eram ventanias levando consigo as folhas de meus sonhos.

Depois, eu dormi novamente. No outono, eu estava em busca de sonhos, recomeçando um novo ciclo, deixando para trás o que se foi e nascendo com as manhãs. Era outono! As folhas caíam, as flores estavam em pleno processo de crescimento, e era eu que junto a elas crescia, também.

Dormindo novamente, eu senti que estava tudo diferente naquele mundo: as flores eram vivas e cheirosas e toda brisa se espalhava como uma criança correndo entre as colinas. Vinha aquela chuva fina entre os raios de sol e as árvores tinham suas folhas novamente. E eu, dentro de mim, acreditava novamente na vida, havia vencido os problemas, tinha ido em busca de sonhos e em mim também era primavera. Era tudo tão lindo, e as flores estavam por toda parte, o sol brilhava entre tantas elas, e logo uma brisa soprava e tinha perfume de primavera, de sol tocando no mar, de água fresca no vale, e isso era porque eu estava em um novo amor, em novas amizades e sonhos... Era verão!















E sempre será assim dentro de mim. Foi isso o que aprendi. Nossa vida é um sonho, dentro dele dormimos para mais tarde acordar. E dentro de nós há quatro estações que estão intensamente ativas dentro de nossa alma, e o que importa é aprendermos que depois do inverno ainda existe um verão. Que cada estação da natureza tem sua função com o ambiente, e cada estação dentro de nós tem sua função com nossa alma.

Grandes vitórias necessitam de grandiosas batalhas.

Um mundo de estações.














Bem - Vindo, welcome, bienvenida, willkommen, accueil, Добро пожаловать e benvenuto!!

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Bárbara Sodré





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sexta-feira, 2 de julho de 2010

As surpresas do coração

Naquela mesma noite depois do banho, Annie e sua neta, Chris, serviram-se à mesa com um farto jantar e de sobremesa, deliciosas guloseimas.
- Queria tanto poder ver sua mãe.
- É, eu sei vovó. Também queria que ela estivesse aqui.
Annie ficou pensativa e engoliu mais uma vez a comida.
- O que queria falar comigo? - perguntou Chris, rompendo o silêncio.
- Coisas importantes... Amanhã você não vai à aula e temos um lugar muito peculiar para ir.
- Não queria ir pra escola a semana toda. Aproveitar sua vinda pra cá... mesmo que você more aqui com a gente! - Chris abriu um grande sorriso e continuou:
- Que ótima ideia a minha , não acha? More aqui com a gente vovó!!
A velha Annie pensou e disse:
- Eu...- Gaguejou sem sabe ro que dizer, afinal as coisas não eram tão simples como a empolgação de Chris deixava ser.
- Vamos ver minha querida. Vamos ver...


Depois que comeram, as duas foram para perto da lareira. As duas, avó e neta, riam muito enquanto tomavam um café e biscoitos, relembravam coisas e planejavam outras. De repente o telefone toca.
- Chris. - Julie apareceu rompendo a conversa. - Com licença, mas tem uma pessoa muito especial querendo falar com você ao telefone.
A menina olhou para a avó, estavam curiosas.
- Alô! - ela disse ao telefone. Julie e Annie estavam ao lado, curiosas demais.
- É a mamãe!!!!!! - gritou Chris.

E do outro lado da linha, na outra ponta do país, situava-se sua mãe, Katy Mangalye, uma advogada muito ocupada. Era uma mulher elegante, porém costumava fumar o que não era tão bonito de se ver. Em pleno século XX, onde tudo andava a caminho da modernidade que se transforme continuamente.
Enquanto fumava, Katy falava ao telefone e perguntou:
- Eu também estou com saudade minha filha. Quem está ai com você? Só a Julie? Escuto uma voz diferente, porém me parece familiar. Hein?
Chris não sabia o que dizer, a mãe e a avó se estranharam várias vezes e antes de responder à mãe olhou apreensiva para Julie e Annie. A senhora entendeu o olhar da garota e fez que sim com a cabeça. Desviando o olhar das duas mulheres, Chris disse:
- Sim mamãe. A vovó está aqui.
- Você quer dizer, a Annie?
- Sim mamãe. Annie, ela mesma.
"Oh meu deus!" Katy pensou antes de responder à filha.
- Deixe-me desligar Chris. Mande um beijo para JUlie.
Katy desligou sem esperar que a filha respondesse.
- O que ela disse? - perguntou Julie.
Chris estava impressionada e disse sem ânimo.
- Disse que precisava desligar e mandou um beijo para você Julie. - o silêncio predominou, Annie sentou-se novamente, sem empolgação e com uma dor no peito.
- Só isso. - encerrou a garota.
Julie vendo que, neta e avó precisavam conversar, pediu licença e se retirou.
A velha senhora tinha lágrimas nos olhos, levantou-se e foi para a varanda, onde sentou-se em uma das cadeiras. Chris foi atrás, preocupada.
As duas estavam ali, sentadas diante de um céu imenso, Annie tinha uma dor no peito e Chris tinha pena dessa dor.
Sua avó estava velha e sabia ela que estando velho ou novo, a dor nunca escolhe onde quer aparecer. Ela aparece, faz pacto com o destino e desencadeia lágrimas de tristeza.
- Queria que fosse diferente. - Annie começou a desabafar.
- Eu também. - a menina suspirou fundo antes de continuar - Dói, neh? Já que as coisas poderiam ser diferentes. Melhores.
- Vou te dar uma dica. Nunca despreze alguém, por mais que você não se dê com essa pessoa. A dor sempre vem em algum momento. Nunca expulse um filho seu de casa só porque ele referiu caminhos diferentes dos seus. Certo?
- Certo vovó.
O silêncio continuou, dessa vez ele tinha mais conformidade e parecia que a noite se encerrava ali.

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