A chuva fina caía e o frio era quase perfeito,porém, somente se você estivesse embaixo das cobertas... Mas podriae ser um pesadelo, como naquela casinha, quase caindo aos pedaços, sem vidros na janela e goteiras incessantes.
Àquela noite não era diferente de uma noite fria. Antônio tremia no colchão velho e fino que dividia com a irmã caçula, Susana. Seu cobertor era tão curto que quase não cobria Susana, que era miúda que só! A irmã parecia dormir, assim como, Alberto, seu irmão “do meio” que era gêmeo de Estela. Antônio parecia desconsolado. A mãe, tentava acender a lamparina que volta e meia apagava... Ela não descansava há uma semana. O trabalho novo de garçonete em um bar perto, sobrecarregava todo seu tempo, e, enquanto não trabalhava servindo clientes bêbados, cuidava dos filhos... Da febre de Estela e da falta de dinheiro para conseguir remédios...
Antônio, o mais velho, quando, finalmente, a lamparina resolver funcionar, reparou, no reflexo da luz, uma gota... Gota de quê? Água salgada de preocupação, de amor... Com Estela dormindo em seu colo, a mãe chorava, e enquanto chorava, parecia fazer uma oração. Ela ainda acredita
No dia seguinte, com dona Hilda no bar, Estela, um pouco pior que à noite passada, aos cuidados da vizinha e Antônio tendo de cuidar de seus outros irmãos à caminho de uma pequena escola improvisada na região...
Foi nesse dia que Antônio ficou sabendo da grande novidade! Dentre dois dias seria Dia das Mães. O menino ficou tão entusiasmado que nem prestou atenção nas contas de matemática... Cento e vinte mais noventa e nove? Não importava... Dois dias eram suficientes... Então, ele teve a idéia de dar à sua mãe um presente inesquecível, algo que a deixasse mais linda, vaidosa e elegante... Ele não conhecia muito bem o significado dessas palavras... Tinha certa dificuldade na leitura... Mas sabia do que tinha visto nas capas de revistas em banquinhas, que as chamadas artistas famosas, eram lindas, pois se arrumavam e usavam bolsas, roupas lindas... Antônio lembrou-se do rosto da mãe na noite passada. Da lágrima que caía e então, resolveu ir. Deixou Susana na responsabilidade de Alberto. Diga à mãe que logo volto... Ela vai gostar.
Antônio passou dois dias inteiros trabalhando como entregador de panfletos para um circo. Quase comprou uma blusa nova para a mãe, com bordado azul e flores brancas ressaltadas... É presente pra minha mãe, moça... Mas ele não ficou lá pra terminar de dizer, na mesma hora, saiu para ver, do outro lado da rua, um frango assado girando no forno da padaria. Esqueceu-se das capas da revista. Ele, nem seus irmãos e sua mãe, nunca haviam comido um daqueles! Antônio comprou o frango. Com o pacote na mão, o menino, corajoso que só, enfrentou a noite sozinho até chegar
Era dia das mães... A família Silva teve frango assado no jantar pela primeira vez na vida... Dona Hilda não aplicou castigo a Antônio; o clima estava um pouco quieto.
Estela que, quando Antônio chegou, estava deitada ao lado dos irmãos, continuava pior. Mas um olhar de esperança surgiu em seus olhinhos cansados. Era dia das mães. Era Antônio de volta. Haveria frango assado no jantar... isos lembrava o natal das revistas e do bairro vizinho...
Não importava o que aconteceria depois... Se Estela estava insuportavelmente doente ou, se as goteiras continuavam lá... A esperança foi unânime, o coração de Dona Hilda se encheu de novo. Ela parece feliz, agora. Pensava Antônio... E isso bastava para ser inesquecível.
Bárbara Sodré
Eu espero que cada um de nós seja sempre capaz de dar valor à mãe que tem. Seja ela como for. Que você seja capaz de compreender o quanto é imenso seu merecimento e o quanto importa a elas que levemos um guarda-chuva ao sair, ou, simplesmente tomemos cuidado com quem andamos e com o ser humano que nos formamos.
Nossas mães são nossos anjos. São nossas amigas e amigos também dizem EU TE AMO. Diga isso a sua mãe sempre que puder.
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