Entendendo nosso mundo de estações

Era aquele o meu mundo... Eu sabia desde que acordei dos meus sonhos. Eu senti. Quando vieram os problemas e angustias, eu dormi, e enquanto sonhava, estava no inverno. Era frio e eu parecia ter medo e não ter proteção; eram ventanias levando consigo as folhas de meus sonhos.

Depois, eu dormi novamente. No outono, eu estava em busca de sonhos, recomeçando um novo ciclo, deixando para trás o que se foi e nascendo com as manhãs. Era outono! As folhas caíam, as flores estavam em pleno processo de crescimento, e era eu que junto a elas crescia, também.

Dormindo novamente, eu senti que estava tudo diferente naquele mundo: as flores eram vivas e cheirosas e toda brisa se espalhava como uma criança correndo entre as colinas. Vinha aquela chuva fina entre os raios de sol e as árvores tinham suas folhas novamente. E eu, dentro de mim, acreditava novamente na vida, havia vencido os problemas, tinha ido em busca de sonhos e em mim também era primavera. Era tudo tão lindo, e as flores estavam por toda parte, o sol brilhava entre tantas elas, e logo uma brisa soprava e tinha perfume de primavera, de sol tocando no mar, de água fresca no vale, e isso era porque eu estava em um novo amor, em novas amizades e sonhos... Era verão!















E sempre será assim dentro de mim. Foi isso o que aprendi. Nossa vida é um sonho, dentro dele dormimos para mais tarde acordar. E dentro de nós há quatro estações que estão intensamente ativas dentro de nossa alma, e o que importa é aprendermos que depois do inverno ainda existe um verão. Que cada estação da natureza tem sua função com o ambiente, e cada estação dentro de nós tem sua função com nossa alma.

Grandes vitórias necessitam de grandiosas batalhas.

Um mundo de estações.














Bem - Vindo, welcome, bienvenida, willkommen, accueil, Добро пожаловать e benvenuto!!

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Bárbara Sodré





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sábado, 21 de maio de 2011

Segunda Parte

Entrevistei por -email a escritora da obra analisada, Nilma Lacerda, que respondeu às duas questões nos ajudando a entender melhor seu ponto de vista em relação a amplitude ganha em sua obra aqui citada:
       

Eu : O seu livro, "Bárbara Debaixo da Chuva", retrata com muita força a vida de uma criança do sertão brasileiro que enfrenta a novidade da escola interrompendo sua vida de brincadeiras e liberdade. Isso tem sido muito comum no sertão do Brasil. De certa forma, seu livro carrega uma crítica em si. Essa crítica foi intencional ou ela veio " sem querer" com a sua imaginação?

Nilma Lacerda:  "Há cerca de vinte anos, o Brasil tem investido em colocar todas as crianças na escola, a partir dos seis anos. Ainda há uma evasão, pequena, mas há. 
Escola não é um processo natural, mas cultural. É normal que, ao entrar para a escola, a criança sofra com as mudanças bruscas em sua vida, e essas mudanças costumam ser mais bruscas na zona rural do que na cidade. Daí a necessidade de uma série de cuidados para que esse processo seja o menos traumático possível, e uma forma de consegui-lo é conversar com a criança sobre o sentido da escola, contando histórias bem-sucedidas sobre essa adaptação e valorizando a cultura escrita. Mas sabe o que acontece, Bárbara? A experiência da escola para todo mundo é muito recente no Brasil, muitas professoras não compreendem o lugar da educação sequer em suas próprias vidas. Espero que Bárbara Debaixo da Chuva, menos que uma crítica, seja uma colaboração para pensarmos essas questões. "

Eu: Inspirações como Bárbara, a personagem do livro,muitas vezes batem em algumas pessoas, denominadas escritoras. No Brasil, esse profissional enfrenta muita dificuldade ligado a reconhecimento. O que, na sua opinião, seria importante fazer pra mudar essa situação?

Nilma lacerda:  "O reconhecimento do escritor e da escritora no Brasil avançou muito, nas últimas décadas. Embora não pense que estejamos em um país ideal em relação ao tema, precisamos admitir que muita coisa saiu do lugar, com um aumento considerável de publicações, o que ocasionou possibilidades de melhores remunerações à escritora, ao escritor, por variadas formas, como bolsas de produção, compras de livros pelo governo, principalmente aqueles que são lidos também por crianças e jovens, a chamada literatura infantil e juvenil. Há, no país, vários profissionais vivendo do que escrevem ou tendo sua renda aumentada com o produto da venda de seus livros, presença em eventos ligados à literatura e outras tarefas próprias do ofício de escrever. Aliás, essa seria uma pesquisa bem interessante para você fazer, quando for jornalista: quantos escritores ou escritoras no Brasil vivem de sua escrita.Começando pelo trabalho pioneiro de Monteiro Lobato, responsável pelo primeiro momento de profissionalização do escritor em nosso país. 
Produzimos uma das literaturas para crianças e jovens de melhor qualidade no mundo, com dois prêmios Andersen, outorgados pelo IBBY – International Board on Books for Young People – à Lygia Bojunga e à Ana Maria Machado. Isso abriu muito mercado de trabalho para escritores e outros profissionais na cadeia de produção do livro.  No presente, devemos inclusive considerar que estamos produzindo, ao lado do que é muito bom, muito livro ruim também, notadamente os voltados para crianças e jovens, área em que faço crítica literária.
Diria, por último, que nesses últimos vinte anos, tanto a sociedade civil quanto o poder público têm se empenhado na formação de leitores. Sermos um país de leitores e de leitoras é a melhor forma de garantir valorização e reconhecimento aos escritores."
 




    Realmente, o Brasil tem alcançado prestígio no mundo todo  quando se fala sobre literatura, tendo , desde sempre, ótimos representantes dessa área. A Nilma mencionou um pensamento muito interessante agora no final, que fica como uma mansagem para refletir: "[...]Sermos um país de leitores e de leitoras é a melhor forma de garantir valorização e reconhecimento aos escritores."  
  O brasileiro precisa ler mais, criticar mais e ser autônomo na hora de ler determinada obra. Concordo plenamente com o pensamento da Nilma.
    Para encerrar, gostaria de agradecer especialmente à ela pela atenção ao responder às questões, - foi um ahonra conversar com você Nilma-, e pela simpatia; elogiar e desejar que seu trabalho continue sendo sempre promissor e agradecer a profissionais como ela: os escritores que têm a capacidade de influenciar massas e de moldar opiniões. " Quem escreve constrói um castelo, quem lê, passa a habitá-lo". [ Anônimo]
  Deixo a dica de livro: "Bárbara Debaixo da Chuva", da Nilma Lacerda, e aproveite para conhecer outras obras da autora.
  Um ótimo final de semana a todos.

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