Entendendo nosso mundo de estações

Era aquele o meu mundo... Eu sabia desde que acordei dos meus sonhos. Eu senti. Quando vieram os problemas e angustias, eu dormi, e enquanto sonhava, estava no inverno. Era frio e eu parecia ter medo e não ter proteção; eram ventanias levando consigo as folhas de meus sonhos.

Depois, eu dormi novamente. No outono, eu estava em busca de sonhos, recomeçando um novo ciclo, deixando para trás o que se foi e nascendo com as manhãs. Era outono! As folhas caíam, as flores estavam em pleno processo de crescimento, e era eu que junto a elas crescia, também.

Dormindo novamente, eu senti que estava tudo diferente naquele mundo: as flores eram vivas e cheirosas e toda brisa se espalhava como uma criança correndo entre as colinas. Vinha aquela chuva fina entre os raios de sol e as árvores tinham suas folhas novamente. E eu, dentro de mim, acreditava novamente na vida, havia vencido os problemas, tinha ido em busca de sonhos e em mim também era primavera. Era tudo tão lindo, e as flores estavam por toda parte, o sol brilhava entre tantas elas, e logo uma brisa soprava e tinha perfume de primavera, de sol tocando no mar, de água fresca no vale, e isso era porque eu estava em um novo amor, em novas amizades e sonhos... Era verão!















E sempre será assim dentro de mim. Foi isso o que aprendi. Nossa vida é um sonho, dentro dele dormimos para mais tarde acordar. E dentro de nós há quatro estações que estão intensamente ativas dentro de nossa alma, e o que importa é aprendermos que depois do inverno ainda existe um verão. Que cada estação da natureza tem sua função com o ambiente, e cada estação dentro de nós tem sua função com nossa alma.

Grandes vitórias necessitam de grandiosas batalhas.

Um mundo de estações.














Bem - Vindo, welcome, bienvenida, willkommen, accueil, Добро пожаловать e benvenuto!!

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Bárbara Sodré





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terça-feira, 6 de abril de 2010

Destino mudado

 Este pequeno conto inspirado em uma aula de Técnica de Redação, é baseado na tragédia que aconteceu no Chile nos últimos meses. O objetivo é mostrar a quem não estava lá, o quanto foi difícil para as vítimas. A estória representa as dificuldades, tristezas, superações e condições vividas por quem presenciou o fenômeno.


 
O que pode acontecer quando um dia normal vira o maior acontecimento da vida de três pessoas? O que você faria se estivesse em outro país, em um lugar totalmente diferente de sua rotina? O que faria se neste lugar acontecesse uma catástrofe e você participasse dela?
     Para um grupo de adolescentes e uma professora de um instituto de ensino privado no Brasil, isso nunca seria possível. Estávamos em 2010, André, Júlia, Sofia, Manuela, Marina, Bruno e a professora de português Susi, viajaram para o Chile para representarem o colégio Salesiano, em um grande evento de premiação da América Latina. Os seis adolescentes com orientação da professora Susi, realizaram um documentário onde demonstravam a importância do patriotismo, e este, foi indicado para premiação no Chile.
    Além do pessoal do Brasil, competiram também: Paraguai, Argentina, Venezuela, Chile e Guiana Francesa.
A instituição Salesiana financiou a hospedagem dos sete em um Hotel perto do local da grande premiação.
 A viagem estava previsto durar apenas cinco dias, mas fugiu do esperado, e tudo pareceu uma eternidade. É o que você confere agora.
   André ao acordar, sentiu muita fome, ao chegar na cozinha Júlia estava lá, revirando os armários procurando alguma coisa para comer. Não encontrando nada na cozinha, os dois resolveram que alguém teria que comprar mais comida. Todos dormiam, menos Susi, que estava no sofá preenchendo alguns papéis. No mesmo instante, Sofia e Manuela acordaram e dirigiram-se para a sala do loft com uma expressão de quem acabara de acordar. Júlia e André apareceram na sala interrompendo  a concentração da professora de português.  Pediram que alguém fosse ao supermercado, Manuela como sempre divertida e espontânea se dispôs a ir; " Ah, eu vou, e  a Sofia também!"  disse Manuela sem consultar a amiga. " Ah claro! Eu também..." Confirmou Sofia.
 Susi vendo a empolgação das alunas em sair do Hotel, disse que poderiam ir apenas com um adulto por perto, ou seja, ela.
 Depois de se aprontarem, as meninas saíram com Susi rumo ao supermercado mais próximo. Passaram pelo setor de cosméticos, higiene e legumes. O supermercado não era muito grande, os setores ficavam muito perto um dos outros.
  As três estavam agora, no setor de chocolates e outras guloseimas que ficava por último no supermercado em frente a um pequeno banheiro que quase ninguém usava.  Foi quando, de repente sentiu-se um forte tremor que rachava as paredes e derrubava muitas prateleiras e pessoas ao chão. Susi, Manuela e Sofia não tinham nenhuma noção do que estava acontecendo, apenas ficaram perto uma das outras acreditando que tudo ficaria bem e que logo entenderiam o motivo do tremor. Enquanto isso no apartamento, o tremor também sacudia  a construção do prédio e assustava quem estava acordado e ainda dormindo, que era o caso dos nossos adolescentes brasileiros.
    O primeiro tremor durou cerca de cinco minutos, no supermercado havia poucas pessoas, e essas estavam separadas por prateleiras derrubadas ao chão. No Hotel, havia muitas rachaduras e todos desciam as escadas ás pessas, evitando o elevador.  Passados dois minutos, tudo começou a tremer novamente e as pessoas que desciam as escadas do hotel desciam cada vez mais em desespero. No supermercado muitas pessoas se machucavam, até que ouviu-se um estrondo muito forte, era a entrada do mesmo, desabando. As duas alunas e a professora continuavam unidas e procuravam se afastar das prateleiras, por isso foram para o pequeno banheiro. Este segundo tremor foi o último e mais forte do dia, durou cerca de dez minutos, minutos suficientes para abalar o Hotel e derrubar a construção, levando junto todas as vidas lá existentes.
    Susi e as duas meninas, mal imaginavam a catástrofe que havia acontecido na vida delas e de seus colegas... A cada segundo dos dez minutos de intenso tremor, as três só temiam que a construção do supermercado desabasse totalmente. Passados os dez minutos de tensão, mal conseguiam acreditar que estavam vivas. Ao abir a porta do banheiro, Sofia teve uma surpresa, o local estava todo empoeirado, pois metade do local havia desabado, todas as prateleiras estavam jogadas ao chão, havendo algumas passagens entre uma prateleira e outra. Uma por uma saiu do banheiro, mudas e perplexas, sentaram-se ao chão enconstadas na parede e ficaram a olhar aquela cena que, com certeza nunca mais esqueceriam. E aquelas pessoas que estavam pelo estabelecimento? Morreram? Não! Não podia ser! Isso era uma das mil coisas que passavam pelas cabeças delas.
    Pelas ruas o semblante das pessoas eram todos iguais, de choro, medo e  perplexidade.Sentadas ali, as três conversaram sobre tudo, se questionaram, tentaram imaginar motivos, tentaram acreditar que estavam dormindo.. Tentaram de tudo, conversaram muito, mas não conseguiam chegar a um bom lugar. De repente, heis que surge uma ideia. Vendo as passagens entre as prateleiras, Susi teve a ideia de passarem por entre esses espaços para ver em que lugar acabaria aquele caminho. A ideia foi posta, mas resolveram pensar antes de tudo. Passaram-se horas, e aproveitaram alguns dos chocolates derrubados ao chão para matar a fome, e para saciar a sede, tomaram água do sanitario do banheiro, pois não saia água das torneiras, meio a condições como essa e depois de tantas horas sem socorro, resolveram seguir a ideia de Susi.
Manuela era a menor e por isso seguiu na frente com mais facilidade, depois de alguns poucos metros o caminho acabou no setor de papelaria que, estava todo bagunçado assim como os outros, havia apenas alguns cadernos jogados ao chão e poucas canetas. Decepcionadas, Susi e Manuela resolveram que deveriam voltar, Sofia seguindo-as por último  antes de continuar, por gostar de escrever, pegou dois cadernos e um estojo de canetas para passar o tempo escrevendo.
     Voltaram ao pequeno local onde localizava-se o setor de guloseimas, continuaram andando em circulos, sentando e conversando, e surgiu o assunto sobre os cadernos... Sofia explicou à professora e à amiga o motivo pelo qual trouxe os cadernos e canetas.  Aproveitaram o tempo para conhecer um pouco mais de cada, as vezes se distraíam tanto que esqueciam a situação em que estavam. Começaram a escrever as sensações, os desejos de estar com a familia, de comer uma comida caprichada, de se limparem... Dormiram a noite, enquanto pelas ruas da cidade, autoridades e grupos de resgates salvavam vítimas... Naquela mesma noite começaram a vasculhar os escombros do supermercado destruído pelo terremoto a procura de sobreviventes.
   Manuela, Sofia e Susi passaram a manhã do dia seguinte escrevendo, rindo e se adapatando à situação. Rezaram muio e fizeram pensamento positivo. E assim passou mais um dia e mais outro, e outro... As buscas pelos escrombos iam ficando cada vez mais próximas de onde estavam as três. Ora ficavam tristes e dasanimadas, ora eram incentivadas por terem sido salvas  e estarem vivas... Era um caldeirão de sentimentos e questionamentos. Ter fé ou não ter, reclamar ou acreditar?
    As três escreviam naquele momento, um texto sobre a situação em que estavam, misturavam ideias e se distraíam tentando fugir da realidade. Enfim a equipe de resgaste ouve vozes e segue aquela direção encontrando a professora e as alunas. Assustadas, elas saem o mais depressa possível e são encaminhadas até a embaixada do país, onde localizava-se Valéria, coordenadora do colégio e Pe. Eduardo, um dos diretores. Receberam Susi, Sofia e Manuela com muita atenção e estima.
Além do que, durante os dias passados no supermercado desabado, as três relataram também, no caderno, o que viram pelas ruas depois do resgaste.
  " A situação, era para nós tão triste que, ver tantas casas derrubadas era também sinônimo de que muitas pessoas perderam bens importantes e vidas...  As ruas estavam cobertas de restos de construções... Muitas pessoas sujas e desoladas andando pelas ruas à procura da esperança."
   Mais tarde as três souberam da morte dos amigos e colegas, o que impulsionou  a criação do livro "O que pode acontecer... O lado da tragédia, que quase ninguém vê" ; onde contaram tudo o que viveram no Chile e na  tragédia lá ocorrida, mostrando ao mundo que além de números em estatísticas, toda grande tragédia traz consigo muitas vidas, histórias e aprendizado. 
  A vida das três nunca mais foram as mesmas. A tragédia no Chile não apenas afetou a vida da popuação chilena como a vida de Susi, Manuela e Sofia que, nunca mais seriam as mesmas.


  Bárbara Sodré e Renata Vellozo

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